UM SONHO DOURADO

AQUELE espetacular show da abertura deixou no ar um problema: achar o adjetivo adequado para defini-lo. Usei espetacular, mas me parece insuficiente. Foi algo que nem a interminável e ridícula oratória terceiro-mundista de autolouvação do gajo que se achava dono da festa conseguiu empanar seu brilho. Muito menos, não por culpa dos organizadores, evidentemente, a queda de qualidade, do também interminável desfile, com a apresentação de alguns países parecendo alas de escola de samba do terceiro grupo. Muito boa a ideia de tocarem Garota de Ipanema, música que é a cara do Rio. Ótima contrapartida, sem que houvesse certamente essa intenção, ao duvidoso gosto então reinante. Só que, se por um lado justa homenagem a Tom Jobim, por outro, imperdoável omissão de seu parceiro Vinicius, deixado inexplicavelmente de fora. De qualquer forma, valeu. Agora é esperar pela festa de encerramento, quando certamente novas boas surpresas ocorrerão. Triste, porém, é saber que, luzes apagadas, o dia seguinte nos colocará novamente diante da amarga realidade nacional; o dia seguinte de um país medalha de ouro em corrupção; um dia seguinte parecendo volta das férias, jeito de segunda-feira chuvosa depois de um domingo de sol.



Escrito por Homero Vianna às 12h21
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